Eleições 2008
O Paraná que sai das urnas
Ainda no mundo antigo temos em Atenas e Esparta exemplos de como as escolhas políticas das cidades-estados tinham impacto nas suas administrações. Esparta dava ênfase à força física, formando bons soldados, já Atenas, onde nasceu a democracia, o enfoque é uma administração que busque contemplar outras dimensões do individuo, como a arte, a música, a literatura dentre outros aspectos. Assim, podemos compreender que a politica já surge norteando a vida de todos.
Muito tempo se passou desde então, mas a regra de que a cidade define seus rumos através da política permanece. Se não mais em praças publicas como na época das pólis, escolhemos através das eleições como queremos que nossos municípios sejam administrados, mas que isso, nas eleições municipais mostramos qual a nossa visão e o que queremos para o futuro.
Mais de sete milhões de eleitores paranaenses foram as urnas no último 05 de outubro para decidir que rumos queriam dar as suas cidades. Na confirmação de cada voto, se definiu um grande mosaico de projetos políticos no estado, que irão afetar de alguma forma a vida de toda a população.
Os votos definiram que cinco partidos vão comandar 70% das cidades paranaenses. Na disputa das legendas o PMDB levou a melhor conquistando 138 prefeituras. Dessa maneira cerca de 34% do total de municípios do estado vão ser dirigidos por peemedebistas. Em segundo lugar ficaram empatados o PSDB e o PP que elegeram 39 prefeitos cada um. O PDT do senador Osmar Dias, ficou em terceiro elegendo 36 prefeitos. Fechando a lista vem o PT, que elegeu 32 prefeituras.
Entre os grandes partidos, o PMDB foi o que mais subiu no número de prefeituras, eram 121 em 2004 e agora são 138, um aumento de quase 15%.
Na capital
Em Curitiba, confirmando as pesquisas, o prefeito Beto Richa foi reeleito no primeiro turno com 77% dos votos, um recorde entre os candidatos às prefeituras das capitais brasileiras. Além disso fez maioria absoluta na Câmara de Vereadores, 28 dos 38 parlamentares da casa são ligada ao prefeito, a propósito a eleição de vereadores de Curitiba merece uma atenção especial.
A renovação foi grande, serão 18 novos vereadores na cidade, ou seja, metade da câmara foi renovada nas eleições em comparação com a legislatura atual. Entre os novos, está o mais votado, Roberto Aciolli (PV) e também o presidente da torcida “Os Fanáticos”, do Atlético Paranaense, Julião da Caveira (PSC).
Salvo raras exceções, os novos nomes foram eleitos porque tinham uma boa estrutura política ao seu dispor, principalmente financeira. Essa aparente renovação merece atenção especial, pois em muitos casos ela na realidade é apenas uma troca de atores ou grupos políticos. Sugiro dar uma olhada com atenção aos sobrenomes dos novos eleitos, a maioria de famílias que tradicionais na política paranaense. Um bom exemplo é Juliano Borghetti, que é irmão da deputada estadual Cida Borghetti, que por sua vez é do círculo de influência da família Barros de Maringá.
Além disso, alguns estão simplesmente voltando à vereança como Algaci Túlio (PMDB), que já foi vereador, deputado e vice-prefeito e agora esta de volta à Câmara de Curitiba.
Londrina
Na segunda maior cidade do estado um velho conhecido do povo e da justiça retorna a prefeitura. Antonio Belinatti (PP) venceu o 2º turno, mas sua candidatura está sob judice pela Justiça Eleitoral, pois ele tem vários processos contra ele.
Talvez só um estudo sociológico mais aprofundado explique como os londrinenses elegeram Belinatti, mesmo com toda a ficha corrida que pesa contra ele.
2010
É consenso no mundo político que Beto Richa saiu dessas eleições como um dos principais atores nas articulações para a eleição do próximo governador do Paraná. Os números conseguidos pelo tucano o fortalecem como um nome forte para a sucessão do governador Requião. Ao mesmo tempo, o credencia como uma das mais importantes lideranças de oposição ao governo Lula na região Sul do País, com grande influência sobre os rumos de seu partido na sucessão presidencial de 2010.
Cauteloso, Beto tem afirmado que não está preocupado com as próximas eleições, mas também não descarta a possibilidade de vir a concorrer a outros postos. Questionado sobre se deixaria à prefeitura para concorrer ao governo do estado, Richa tem sido enigmático, afirma que o seu compromisso é com quem o elegeu. Dessa maneira dá a entender que se o eleitor que depositou seu voto nele quiser, ele pode sim disputar o palácio das Araucárias. Ao mesmo tempo, deixa a porta aberta para uma eventual composição que incluiria o grupo do senador Osmar Dias (PDT), a quem apoiou na disputa estadual de 2006.
Do outro lado da disputa de 2010, apesar do sucesso de eleger o maior número de prefeituras, os peemedebistas não conseguiram emplacar prefeitos nos maiores municípios, mas mesmo assim, o partido faz uma análise positiva de seu desempenho. O secretário geral do partido, João Arruda comemora o resultado da legenda nas urnas e dispara: “Estamos preparados para 2010, venha o que vier”.
Já o partido do presidente Lula teve um leve crescimento, mais sai enfraquecido para a disputa estadual daqui há dois anos. A partir de agora enfrenta a tarefa de fazer decolar uma de suas estrelas como pré-candidatos competitivos ao governo do estado, embora uma delas, o ministro Paulo Bernardo, venha afirmando que “não é nenhum absurdo” uma composição com o PDT de Osmar Dias.
Com toda a certeza o voto dado aos representantes municipais, tem reflexos diretos na definição dos rumos que tomarão o Estado neste final de década. Quando o TRE concluiu a apuração e anunciou o resultado, automaticamente lançou os dados do jogo sucessório estadual.
Como me disse um grande articulista político do estado em uma conversa de mesa de bar “Calma, ainda vai passar muita água debaixo dessa ponte”. Na política o impensável hoje é totalmente palpável amanhã. Aguardemos.
Escrito por Marc Sousa às 16h40
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