Sensacionalismo
A exploração da dor pela mídia
Dos jornais matinais aos últimos noticiários na noite, o tema mais comentado é o da tragédia com a menina Isabella Nardoni, que tinha apenas 5 anos e foi atirada do 6º andar do prédio onde seu pai morava.
A polícia vem fazendo seu trabalho na investigação do caso, ouvindo testemunhas e divulgando laudos. A familia além da imensa dor da perda, está passando por outro inconveniente ainda pior, a grande exposição da mídia sobre o tema. Esta divulgação exagerada dos fatos pelos grandes meios de comunicação, engrossa o caldo mais uma vez para a discussão do sensacionalismo praticado pela imprensa.
A intenção não é inocentar ninguem, muito pelo contrário quem fez esta barbárie tem que pagar pelos seus atos. O que é necessário entender é que quem investiga é a polpicia, e quem julga é o poder judiciário.
Um dos princípios do jornalismo é o da objetividade, ou seja, o texto deve ser orientado pelas informações objetivas, descrevendo características do objeto da notícia, e não impressões ou comentários do jornalista, infelizmente o que vemos todos os dias não é isso.
Retomando mais uma vez o caso da menina Isabella, não foi nem um nem dois, veículos que a todo momento já declaravam culpados o pai Alexandre Nardoni e a madrasta Anna Carolina Jatobá, mesmo muito antes dos dois serem indiciados por homicídio doloso (com intenção de matar). Dessa maneira temos a certeza que legalmente ainda teremos um longo e doloroso processo e julgamento pela frente, para aí sim podermos afirmar culpados ou inocentes.
Se o casal foi inocente como eles afirmam, com certeza a vida deles nunca mais será a mesma, pois foi destruída pelo sensacionalismo de vários setores da imprensa. Aqui mesmo no Brasil temos casos de pessoas que eram completamente inocentes e foram execrados como culpados pela grande mídia.
Dias atrás assisti um vídeo produzido por universitários, onde era entrevistado o polêmico radialista Luiz Carlos Alborghetti. Ele que ficou famoso em todo país por seu tom agressivo contra a marginalidade, é considerado por alguns como um dos grande ícones do sensacionalismo. Alborguetti por sua vez comprovava, que em sua visão, grandes veículos tidos como imparciais e responsáveis, também praticavam o exagero do uso de imagens e depoimentos fortes na cobertura de fatos jornalisticos.
Claro que todos somos solidários a dor dos familiares de Isabella, mas não é preciso procurar muito para saber que pelo menos 02 crianças são mortas por dia, vitimas de maus tratos. Porque o silêncio da imprensa diante de tantos casos e o alarde geral de um único.
Como vemos a famosa “Imprensa Marrom”, como são chamados os meios de comunicação sensacionalistas que buscam ibope e grande número de vendas, através da veiculação exagerada de crimes e diversos acontecimentos "apelativos", não está reduzida a esse ou aquele jornal, ou a um ou outro programa na televisão.
Ao que nos parece ela está ai, na imensa maioria das notícias que vemos todos os dias. Cabe a nós leitores e telespectadores escolher se queremos ou não continuar vendo isso.
Escrito por Marc Sousa às 23h37
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