Repercussão da mídia
A quem interessa?
Uma pergunta, você vota em Nova Iorque? A resposta é obvia, mas a grande mídia brasileira parece ter duvidas quanto a ela. A prova disso é a repercussão que ela deu ao caso do governador do estado norte-americano, Eliot Spitzer, e sua ligação com uma rede de prostituição de luxo, que cobrava até US$ 5,5 mil por hora, ele acabou renunciando ao cargo.
É claro que você já sabia, afinal todos os canais de televisão colocaram no ar materias de blocos inteiros sobre o caso. Os jornais impressos dedicaram suas editorias internacionais quase que exclusivamente para o tema. Os maiores portais online do Brasil dispunham entre suas principais manchetes o escândalo ocorrido em terras norte americanas.
O fato é noticia, sem duvidas, mas a atenção dado a ele é no minimo interessante. O assunto serve como um bom elemento pra se travar a discussão, uma das minhas preferidas confesso, sobre a pauta da mídia.
Enquanto telejornais chegaram a gastar até 10 preciosos minutos de seu tempo, cobrindo um fato que pouco influi, ou irá influir, na vida dos brasileiros, ao mesmo tempo o Congresso Nacional se degladiava na instalação da CPI dos Cartões Corporativos. A Assembléia Legislativa aqui do Paraná entrava com recurso solicitando a cassação da liminar que suspendia os efeitos da lei que cria aposentadoria especial para os deputados estaduais. Outro tema importantissimo, as discussões para a criação da TV Pública estavam acaloradas no senado. Ainda tinha varias manifestações contrarias a visita da secretária de Estado norte-americano, Condoleezza Rice, ao Brasil.
Mesmo com tudo isso acontecendo, a prioridade da pauta era a pulada de cerca lá em Nova Iorque. A grande verdade é que não é dificil encontrar situações, em que o foco da pauta da mídia está na direção contraria a que realmente interessa o grande publico.
O jornalista, Ricardo Noblat, imortalizou em seu livro "A Arte de fazer um Jornal Diário", a opinião que a arrogância e prepotência dos jornalistas em querer decidir o que as pessoas vão ler, é um dos piores defeitos da imprensa. Por causa desse problema, ele até chegou a decretar o fim dos jornais diários.
Se isso vai ocorrer eu não sei, agora que a maneira de se comunicar está mudando, a isso está. A internet é a prova viva e lantente disso, o maior exemplo é este blog, se não fosse por ele este estudante de jornalismo, um tanto palpiteiro que vós escreve, não poderia expor suas opiniões a não ser em conversas com os amigos. A grande rede dá a possibilidade de expor suas informações, opiniões, intenções, possibilitando se comunicar mais e melhor.
O ambiente online torna palpável a tão temida por alguns, e almejada por muitos, democratização dos meios de comunicação. Um viva a internet, porque como diria a letra da musica, "Apenas começamos".
Escrito por Marc Sousa às 19h50
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