Natal: Comercial X Religioso
Hoje é natal. Além de constar em seu calendário como uma importante data comemorativa, você já deve ter percebido isso nas inúmeras mensagens de paz, amor e harmonia que deve ter recebido ao longo dos últimos 20 dias, mensagens essas que felicitam o dia do nascimento de Jesus Cristo, convocando-o a usar o Natal para fazer renascer seu espírito, se tornando uma pessoa melhor.
Você também deve ter percebido que é tempo de Natal, pelos inúmeros comerciais de T.V. com o tema, pelas “promoções natalinas” nas lojas, pelos horários de atendimento estendidos dos shoppings, tudo isso para você comprar seus presentes de Natal.
A imprensa retrata muito bem essa contradição. Enquanto temos matérias onde mostram os comerciantes esperando vender 15% a mais nesse natal em relação ao passado, mostrando o tumulto dos shoppings e o produto preferido para os presentes, ao mesmo tempo temos pautas de historias de superação de pessoas, de caridade e dos eventos religiosos, como por exemplo, as “Missas do Galo”.
Que me perdoem os religiosos mais fanáticos, mas o Natal a cada ano vem sendo uma data mais comercial do que religiosa, pois os verdadeiros sentimentos natalinos ficam só nas mensagens e longe da pratica. A prova são as ceias que faltam orações, mas sobram presentes.
A questão do símbolo do Natal mostra bem tudo isso, faça o teste você mesmo. Pergunte a qualquer criança entre 3 à 8 anos qual é símbolo do Natal, com certeza você vai receber a sonora resposta de Papai Noel, que todos nós sabemos como surgiu, por quem foi criado e a serviço de quem.
Quem sou eu para sugerir alguma coisa a alguém, mas acho que os grandes impérios religiosos, dos mais variados seguimentos e tendências, que chegam a ter emissoras de televisão em cadeia nacional e centenas de milhares de emissoras de radio, deveriam iniciar uma campanha pelo real espírito de Natal. Poderiam começar, por exemplo, colocando em discussão os funcionários do comercio que são explorados com jornadas que chegam a vinte horas diárias, com horários de trabalho que chegam até as duas da madrugada.
Esse real espírito de Natal não tem só haver com o nascimento de Jesus Cristo, mas muito mais contra a hipocrisia de uma sociedade que se sente feliz com a família reunida em volta de um grande banquete, enquanto crianças passam frio e fome na esquina da sua casa, e se sente com suas responsabilidades em dia, quando pega os restos da ceia e “doa” para os mais necessitados, como se da restos de comida à um cachorro.
Se você achou eu e meu texto “babaca”, pois nessa data deveria estar mandando uma mensagem, como eu disse no inicio “de paz, amor e harmonia”, eu não ligo não. Pois para você o presente, no papel de embrulho vermelho com o laço vistoso, deve ser mais importante.
No mais um Feliz Natal, com os verdadeiros sentimentos natalinos.
Escrito por Marc Sousa às 19h41
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|